8º Dia: A Rainha do Céu no Reino da Divina Vontade recebe o mandato de seu Criador de colocar a salvo o destino do gênero humano

A alma à Mandatária Divina:
Aqui estou, Mãe Celestial. Sinto que não sei ficar sem minha
querida Mãe; meu pobre coração está irrequieto; e então me sinto em paz quando
estou no seu colo como uma pequena, pequenina, apertada em seu Coração para
ouvir suas lições. Sua doce pronúncia me acalma de toda a minha amargura e
docilmente prende a minha vontade, colocando-a como escabelo sob a Divina Vontade;
o que me faz sentir seu doce domínio, sua vida, sua felicidade.
Lição da Rainha do Céu:
Minha querida filha, saiba que a amo muito; confie em sua
Mãe e tenha certeza de que obterá vitória sobre sua vontade. Se me for fiel,
tomarei todo cuidado de si; portanto, ouça o que fiz por você diante do
Altíssimo.
Não fiz outra coisa senão me colocar nos joelhos de meu Pai
Celestial. Eu era pequenina, ainda não nascida; mas o Querer Divino, de quem eu
possuía a Vida, me deu acesso livre ao meu Criador. Para mim, todas as portas e
os caminhos estavam abertos; não tinha receio nem medo dEle. Só a vontade humana
causa medo, receio, desconfiança e distancia a pobre criatura d’Aquele que a
ama tanto e que quer ser cercado por seus filhos. Assim, se a criatura está
assustada e temerosa e não sabe estar com seu Criador, como uma filha com seu
Pai, é um sinal de que a Divina Vontade não reina nela e, assim, a criatura
experimenta as torturas, o martírio da vontade humana. Portanto, nunca faça a
sua vontade; não queira torturar-se e martirizar-se a si mesma, que é o mais
horrível dos martírios, sem apoio e sem força.
Então, escute-me: elevei-me aos braços da Divindade; mais
ainda, esperavam-me e se alegraram ao me ver. Me amavam tanto que, ao meu
apresentar, derramaram outros mares de amor e santidade na minha alma. Não me
lembro de tê-Los deixado, sem que me acrescentassem outros dons surpreendentes.
E assim, enquanto estava em seus braços, rezei pelo gênero
humano; e muitas vezes, com lágrimas e suspiros, chorei por você, minha filha,
e por todos. Eu chorei por sua vontade rebelde, por seu triste destino de se
tornar escrava dela, o que a fazia infeliz. Por ver minha filha infeliz, as
lágrimas brotaram em mim, até banhar as mãos de meu Pai Celestial com o meu
choro. A Divindade, comovida pelos meus choros, continuou a me dizer: “Nossa
querida filha, seu amor Nos liga, suas lágrimas atenuam o fogo da Justiça
Divina, suas orações Nos atraem para as criaturas, que não sabemos resistir;
portanto, nós lhe damos o mandato de colocar a salvo o destino do gênero
humano. Será a Nossa Mandatária no meio deles. A si confiamos suas almas.
Defenderá os nossos direitos lesados por suas culpas. Estará no meio, entre
eles e Nós, para ajustar as separações que existem entre as partes. Nós
sentimos a força invencível de nossa Vontade Divina em si, que por meio de si
reza e chora. Quem lhe pode resistir? Suas orações são comandos, suas lágrimas
governam o nosso Ser Divino: portanto, siga em sua missão!”
Agora, minha querida filha, o meu pequeno Coração se sentia
consumido de amor, perante os modos amorosos do discurso divino; e, com total
amor, aceitei seu mandato, dizendo: “Altíssima Majestade, aqui estou em vossos
braços, disponde de mim como quereis. Ofereço até a minha vida pelo que
desejais, e mesmo que eu tivesse tantas vidas por tantas criaturas que existem,
eu as colocaria à vossa disposição para trazer todos a salvo nos vossos braços
paternos”.
E sem saber, então, que seria a Mãe do Verbo Divino, sentia
em mim a dupla maternidade: maternidade por Deus, por defender seus justos
direitos, e maternidade pelas criaturas para colocá-las a salvo. Eu me senti
Mãe de todos. O Querer Divino que reinava em mim, que não sabe fazer obras
isoladas, trouxe para mim Deus e todas as criaturas de todos os séculos. No meu
Coração maternal, sentia meu Deus ofendido, que queria estar satisfeito; e sentia
as criaturas sob o domínio da Justiça Divina. Oh, quantas lágrimas fluíram! Eu
queria que minhas lágrimas caíssem em cada coração para que todos sentissem
minha maternidade de amor. Eu chorei por você e por todos, minha filha.
Portanto, escute-me; tenha compaixão das minhas lágrimas; tome minhas lágrimas
para suprimir suas paixões e para garantir que a sua vontade perca vida. Aceite
meu mandato de que sempre faça a Vontade de seu Criador.
A Alma:
Mãe Celestial, meu pobre coração não resiste ao ouvir quanto
me ama. Ah, me ama demais, a ponto de chorar por mim! Sinto suas lágrimas
descerem no meu coração; e, como tantos dardos, me ferem e me fazem entender o
quanto me ama. E quero unir minhas lágrimas às suas e pedir, chorando, que
nunca me deixe sozinha; que me vigie em tudo; e, se necessário, pode me bater.
Trate-me como Mãe; e eu, como sua pequena filha, a seguirei em tudo, para que
seu mandato seja o meu tesouro; e possa me levar aos braços de nosso Pai
Celestial como um ato completo do seu mandato divino.
Pequena flor:
Hoje, para me honrar, me dará sua vontade, suas dores, suas
lágrimas, suas ansiedades, suas dúvidas e medos, colocando-os em minhas mãos
maternas, de modo que, como sua Mãe, eu possa depositá-los no meu Coração
materno, como sinais da minha filha; e eu lhe darei o precioso penhor da Divina
Vontade.
Jaculatória:
Mãe Celestial, que suas lágrimas fluam em minha alma, para
que possam curar as feridas que minha vontade fez em mim.