21º Dia: A Rainha do Céu no Reino da Divina Vontade. Sol que nasce. Pleno meio dia: o Verbo Eterno em nosso meio

A alma para sua Mãe Rainha:
Doce Mãe, meu pobre coração sente a extrema necessidade de vir
aos seus joelhos maternos, para confiar-lhe meus pequenos segredos e confiá-los
ao seu Coração materno. Ouça, ó minha Mãe: ao olhar para os grandes prodígios
que o Fiat Divino operou na Senhora, sinto que não posso imitá-la, porque sou
pequena, fraca e por causa da tremenda luta da minha existência, que me abate e
me deixa sem um fio de vida. Minha Mãe, oh! como gostaria de desafogar meu
coração no seu para fazê-la sentir as dores que me amargam e o medo que me
aterroriza, de não cumprir a Divina Vontade. Tenha piedade de mim, ó Mãe
Celestial, tenha piedade! Escondendo-me no seu Coração, perderei a memória dos
meus males, para me lembrar apenas de viver de Vontade Divina.
Lição da Rainha do Céu, Mãe de Jesus:
Querida filha, não tema. Confie em sua Mãe, deixe tudo fluir
para o meu Coração, e levarei tudo em conta. Cuidarei de você como Mãe;
transformarei suas dores em luz e as usarei para estender os limites do Reino
da Divina Vontade em sua alma.
Portanto, coloque tudo de lado e me escute. Quero dizer-lhe
o que o Pequeno Rei Jesus operou no meu ventre materno, e como sua Mãe não
deixou que nem um suspiro do pequeno Jesus passasse despercebido.
E assim, minha filha, a pequena humanidade de Jesus cresceu
hipostaticamente unida à Divindade. Meu ventre materno era muito apertado,
escuro; não havia um brilho de luz. E eu O vi imóvel no meu ventre materno,
envolvido dentro de uma noite profunda. Mas sabe quem formou essa escuridão tão
intensa para o bebê Jesus? A vontade humana, na qual o homem voluntariamente se
envolveu; e por quantos pecados cometia, tantos abismos de trevas se formavam
em torno e dentro dele; de forma que o tornou imóvel para fazer o bem. E meu
querido Jesus, para pôr em fuga a escuridão desta noite tão profunda em que o
homem se tornou prisioneiro de sua própria vontade sombria, a ponto de perder o
movimento de fazer o bem, escolheu a doce prisão de sua Mãe e se ofereceu
voluntariamente à imobilidade por nove meses.
Minha filha, se você soubesse como meu Coração materno foi
martirizado ao ver o pequeno e imóvel Jesus chorar e suspirar no meu ventre!
Sua palpitação ardente batia forte, e, inquieto de amor, fez sentir seu
palpitar em cada coração, para pedir, por piedade, as suas almas; porque Ele,
por amor a elas, havia voluntariamente trocado a luz com a treva, para que
todos pudessem obter a verdadeira luz e se colocassem a salvo.
Minha querida filha, quem poderia lhe dizer o que meu
pequeno Jesus sofreu no meu ventre? Dores inauditas e indescritíveis! Era
dotado de plena razão: Ele era Deus e homem. Seu amor era tanto, que colocava
como que à parte os infinitos mares das alegrias, da felicidade, da luz, e
mergulhava sua pequena humanidade nos mares da escuridão, da amargura, da
infelicidade e das misérias, que as criaturas Lhe tinham preparado; e o pequeno
Jesus colocava tudo sobre seus ombros, como se fossem suas. Minha filha, o amor
verdadeiro nunca diz um basta, não olha as dores; e por meio de dores procura
por aquele que ama, e se contenta em deixar sua vida para dar vida novamente
àquele que ama.
Minha filha, ouça a sua Mãe: vê que grande mal é fazer sua
vontade? Não só você prepara a noite para o seu Jesus, como a você mesma; você
forma mares de amargura, de infelicidade e misérias, nos quais se torna tão
sobrecarregada que não sabe como sair deles. Portanto, esteja atenta; faça-me
feliz, dizendo-me: “Quero sempre fazer a Divina Vontade.“
Agora ouça, minha filha: o pequeno Jesus, agonizante de
amor, estava no ato de dar o passo para sair à luz do dia. Suas angústias, seus
anseios ardentes e desejos de querer abraçar a criatura, de fazer-se ver, e de
olhá-la para tomá-la a si, não lhe dava descanso. E, como um dia, colocou-Se
atento às portas do Céu, para vir e encerrar-Se no meu ventre, assim estava em
ato de colocar-Se à espreita, às portas do meu ventre, que é mais do que o Céu;
e o Sol do Verbo Eterno surge em meio ao mundo e se forma o seu pleno meio-dia.
Assim, para as pobres criaturas, não haverá mais noite, nem amanhecer, nem
madrugada, mas sempre Sol, mais que na plenitude do meio-dia.
Sua Mãe sentia que não podia mais contê-Lo dentro de si.
Mares de luz e de amor me inundavam, e, como dentro de um mar de luz, eu O
concebi, assim, dentro de um mar de luz Ele saiu do meu ventre materno. Querida
filha, para aqueles que vivem da Vontade Divina, tudo é luz e tudo se converte
em luz.
E assim, nesta luz, eu, arrebatada, esperei para apertar meu
pequeno Jesus em meus braços. Quando Ele saiu do meu ventre, ouvi seus primeiros
gemidos amorosos. O Anjo do Senhor o entregou em meus braços; apertei-O com
tanta força ao meu Coração e dei-Lhe o meu primeiro beijo; e o pequeno Jesus me
deu o Dele.
Suficiente por hoje; amanhã espero por você novamente, para
lhe contar mais sobre o nascimento de Jesus.
A Alma:
Santa Mãe, oh! como é afortunada! É a verdadeira
bem-aventurada entre todas as mulheres! Oh! peço, pelas alegrias que a Senhora
sentiu ao apertar Jesus no seu peito, e quando Lhe deu seu primeiro beijo,
dê-me o pequeno Jesus para segurar em meus braços, para que eu possa dar-Lhe a
alegria de dizer-Lhe, que juro amá-Lo sempre, e que não quero saber de nada
além da sua Divina Vontade.
Pequena flor:
Hoje, para me honrar, virá para beijar os pezinhos do Menino
Jesus, e Lhe dará sua vontade em sua pequena mão, para fazê-Lo alegrar-se e
sorrir.
Jaculatória:
Minha Mãe, coloque o
pequeno Jesus em meu coração, para que transforme tudo de mim em Vontade de
Deus.